terça-feira, 21 de setembro de 2010

A História do Rock Cristão





Victor Neuhaus
Músico há 10 anos e tecladista na I.E.Q. Sede, Palhoça.






A paz galera, mais uma vez estou aqui pra colaborar com o pouco do que sei da música em geral e da música cristã, e dessa vez me sentindo muito bem, como um bom roqueiro, vou falar um pouco da história do rock cristão, espero que vocês curtam, porque eu estou adorando (risos).

O rock cristão surgiu em meados dos anos 60 nos Estados Unidos e muitas dessas primeiras bandas eram integrantes do Jesus Moviment, movimento que surgiu no rastro da contra cultura Hippie.
As primeiras bandas foram mal recebidas nas igrejas protestantes da época, pois o rock era conhecido como “música do diabo” associando a um comportamento rebelde, mas com o tempo o rock foi ganhando credibilidade e vencendo preconceitos principalmente por ser meio de aproximação de jovens ao cristianismo.

No Brasil a partir dos anos 70 alguns grupos e cantores, começaram a por canções de rock em seus trabalhos, mas nenhuma banda era totalmente de rock devido ao preconceito e má aceitação da igreja naquela época.
Em 1977 surgi a Banda Exodos, totalmente voltada ao rock em suas músicas, foi a primeira banda de rock cristão do Brasil.

Nos anos 80 tanto nos Estados Unidos como no Brasil, o rock cristão foi ganhando interesse do público protestante e atraiu interesse da mídia e de gravadoras. Nos Estados Unidos as bandas Petra, Stryper, Bride e Whitecross são bons exemplos de bandas de rock cristão bem sucedido, já no Brasil a grande explosão ocorreu no fim dos anos 80 com bandas como Katsbarnea, Resgate, Catedral, Fruto Sagrado e Oficina g3.

Nos anos 90 a música cristã em geral cresceu de uma forma impensável nos anos anteriores, shows em estádios, megaeventos, programas de TV e rádio ajudaram no crescimento da música cristã em todo o mundo. E é claro que o rock cristão também pegou carona nesse crescimento.
A frase “rock do diabo” começou a cair por terra nessa época e o rock estando cada vez mais presente nos cultos das igrejas. O surgimento de novas bandas foi cada vez maior.

Nos Estados Unidos surgiram grandes nomes como Third Day , P.O.D. e MxPx , no Brasil
Destaque para as bandas Metal Nobre, Staurus entre outras.
Na ultima década foi onde a rock cristão se solidificou como os principais estilos da música cristã. Muitos grupos surgiram com novos estilos e novas tendências dentro do rock, mostrando qualidade e talento sem deixar de falar de Deus e do amor do seu filho Jesus.

Hillsong United, Kutless, Demon Hunter são exemplos no exterior e Virtud, Aeroilis, Palavrantiga, Sion, são exemplos de bandas no Brasil que surgiram nessa década.

Creio que vivemos o melhor tempo do rock cristão no Brasil e no mundo, pois o rock é respeitado, admirado por muitos e não deixa de fazer o primeiro propósito da galera lá dos anos 60, que é a de ganhar almas e principalmente jovens para Jesus. Ainda há preconceitos sim, e nós que amamos o rock cristão ainda sentimos isso na pele, nada comparado ao que nossos amados irmão de décadas passadas sofreram.

Porque o SENHOR não vê como vê o homem, pois o homem vê o que está diante dos olhos, porém o SENHOR olha para o coração...
(I Samuel 16:7)


Então com tudo isso só me resta declarar: VIDA LONGA AO ROCK´N ROLL CRISTÃO!

Deus os abençoe!


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quinta-feira, 16 de setembro de 2010

2º Louvorzão IEQ

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quarta-feira, 15 de setembro de 2010

A Importância de Manter Corpo e Alma Bem Nutridos





Fernanda Camargo Lopes
Nutricionista - CRN 10 / 2402P



"Amado, oro para que você tenha boa saúde e tudo lhe corra bem, assim como vai bem a sua alma." (3 João 1:2)

Partindo do fato de termos o mais precioso dos bens, nos dado por Deus: a vida. Cabe a nós fazer-mos de tudo para que esta seja utilizada para honrar e glorificar a Deus. E como bem diz o trecho acima, corpo e alma devem ir bem, estar em sintonia, pois um corpo em boas condições possibilita que nos voltemos mais aos afazeres agradáveis ao Senhor, ou seja, um corpo forte possibilita nos colocarmos dispostos a realizar melhor a obra de Deus.

Como bom Pai, o Senhor quer que tenhamos saúde, Ele nos abençoa suprindo tanto as necessidades espirituais quanto físicas, Ele não deseja que nosso corpo sofra com doenças.
Sendo assim, nesse contexto de vida saudável, eu gostaria de compartilhar com os irmãos um pouco do que aprendi e aprendo a cada dia como nutricionista. Que esta coluna venha a auxiliar os leitores em questões práticas do dia a dia relacionadas a alimentação. Gostaria também de interagir mais e escrever sobre o que vocês gostariam de ler, por isso peço-lhes que sugiram temas que terei o prazer de esclarecer.
Para iniciarmos nosso papo super nutritivo, sinto que devo explicar alguns termos que muito utilizamos, mas será que sabemos mesmo o que significa?

Vamos lá:
Dieta. É bom saber que dieta não é somente aquela alimentação direcionada a uma pessoa que sofre com alguma necessidade especial. Quando falo dieta, uso o termo para definir a alimentação geral que serve de padrão para todos nós, saudáveis ou passando por algum tratamento. Esta é também a definição dada pelo Ministério da Saúde(2006).

Outro termo bastante utilizado é "alimentação saudável", mas realmente sabemos o que é essa tal de "alimentação saudável"?

Ainda, segundo o Ministério da Saúde(2006), alimentação saudável é aquela adequada às necessidades biológicas dos indivíduos em cada etapa da vida, deve sempre ser acessível (fisica e financeiramente), variada, saborosa, colorida, harmônica e segura(do ponto de vista sanitário/higiênico).

Por tanto, deixemos de lado o conceito de que alimentação saudável é aquela composta por alimentos caros, que dieta equilibrada é só para pessoas de maior poder aquisitivo. Para termos uma alimentação saudável basta que saibamos escolher os alimentos mais adequados às nossas necessidades e que se enquadrem em nosso padrão financeiro. Todos nós somos capazes de nos alimentar de forma saudável, porém para que isso ocorra, temos que nos esforçar um pouco, nem sempre o que nos satisfaz momentâneamente fará bem também ao nosso corpo, é importante que reconheçamos a necessidade de habituar nosso paladar aos alimentos saudáveis, isso exige um pouco de esforço da nossa parte.

É muito fácil somente dizer que não gostamos de algum alimento, mas será que já tentamos de diversas formas utiliza-lo em nossas refeições? Será que realmente não gosto de "frutas e verduras", ou não me agrado com uma ou duas que comi algum dia em que não foi preparado devidamente?

Aos pouquinhos vou dando umas dicas para deixar-mos nossa alimentação mais saudável e agradável ao paladar. E agora que já sabemos o que isso significa, basta criarmos a consciencia de que nosso corpo deve ser mantido saudável e que a opção por uma dieta equilibrada parte de nossas escolhas alimentares. Devemos ter domínio sobre os nossos hábitos alimentares, assim como Daniel se manteve forte se alimentando de legumes e água, também nós podemos nos manter firmes com alimentos saudáveis, sem extremismos ou exageros, mas que nós façamos nossas escolhas sem a influencia da mídia ou qualquer outro meio.

Lembre-se de se alimentar para suprir sua necessidade biológica e não somente para suprir uma necessidade momentânea, passageira. A bíblia nos mostra que Deus nos alerta quanto à isso:
"Não estejais entre os beberrões de vinho, nem entre os comilões de carne. Porque o beberrão e o comilão caem em pobreza; e a sonolência cobrirá de trapos o homem." (Provérbios 23: 20-21).
Finalizo com um outro trecho encontrado na melhor de todas as fontes, a palavra de Deus.
"Assim, quer vocês comam, bebam ou façam qualquer outra coisa, façam tudo para a glória de Deus." (1Coríntios 10:31)

Deus abençõe a todos.

Para contato: (48) 9941-9936      

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terça-feira, 7 de setembro de 2010

Mutirão de Limpeza na Sala dos Jovens

Aconteceu no último sábado, 4, um mutirão de limpeza na antiga sala dos jovens. Todo o material que estava na sala foi organizado em caixas com numeração. O material agora aguarda um destino. Assim que a desocupação da sala for feita os jovens já podem criar um ambiente agradável para as reuniões de sexta.

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Por aí na internet...

Por aí na internet encontrei algumas artes cristãs que merecem destaque.























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A Virada

Sinopse

Jan Austin quer vender carros usados da pior forma, e é exatamente como ele faz negócios em sua concessionária. Prometendo muito mais do que ele pode cumprir, ele fará o que for necessário para vender um carro. Seu jeito manipulador influencia todos os seus relacionamentos, até sua esposa e filho não confiam nele.
Mas enquando Jay trabalha em restaurar um clássico conversível, ele começar a ver que Deus está trabalhando no seu restaurar também. Enfrentando a realidade de como ele verdadeiramente conduz a si próprio, Jay Austin começa a jornada de sua vida quando aprende a honrar a Deus com seus negócios, suas relações e sua vida!





Fonte: Gospel Jovem.
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Lei da Mordaça

3º PROGRAMA NACIONAL DOS DIREITOS HUMANOS

Edson Pereira Bueno Leal , maio de 2010 .

O programa foi lançado em 21 de dezembro em Brasília pelo presidente Lula que depois confessou que assinou o decreto sem ler . É a terceira versão do plano. As duas anteriores foram lançadas em 1996 e 2002 .

A idéia de conceber um programa desses , atualizado periodicamente , surgiu depois que o Brasil presidiu o Comitê de Redação da Conferência Mundial de Direitos Humanos, realizada em Viena , em 1993.

A primeira versão , com 228 itens, propunha basicamente ações capazes de proteger índios , negros , crianças , detentos, ou pessoas submetidas a trabalho forçado , entre outros grupos . Uma de suas conseqüências foi a criação da Secretaria Nacional dos Direitos Humanos .

Em 2002 , o segundo programa trazia metas , mais específicas e detalhadas como melhorar a vida de dependentes químicos e portadores do vírus HIV , por exemplo .

O terceiro plano , elevou o número de ações programáticas para 523 , com seis eixos , 25 diretrizes e 82 objetivos estratégicos , porém inovou ao contrabandear para o programa propostas estarrecedoras , inconstitucionais . ( Veja,20.01.2010 , p. 12-13) .

O principal responsável pelo plano é o secretário de Direitos Humanos , Paulo Vannuchi . Ele foi militante da Ação Libertadora Nacional (ALN), organização terrorista esquerdista . Ficou preso até 1976 e depois trabalhou para as Comunidades Eclesiais de Base da Igreja e nos anos 80 passou a trabalhar para o PT, ao qual é filiado e ganhou a confiança de Lula .

O plano reúne um apanhado de 523 metas , que vão desde metas vagas , de difícil implementação , até propostas específicas , muitas dependendo de municípios , Estados , Congresso e Judiciário .

"O plano , porém , foi concebido nos moldes de um cavalo de tróia . Escondida no corpo das medidas de apelo humanitário , há uma série de propostas que, de tão absurdas, provocaram desentendimentos e protestos de vários setores da sociedade , incluindo uma crise dentro do próprio governo . ( Veja, 20.01.2010 , p. 57) .

A CUT, a UNE, o MST e a ONG "Tortura Nunca Mais", lançaram em 14 de janeiro , em São Paulo, um manifesto de "integral apoio" ao programa Nacional de Direitos Humanos e ao ministro Paulo Vannuchi . . O documento afirma que " os protestos e a grita dos setores conservadores e/ou comprometidos com todo tipo de violações sistemáticas dos direitos humanos no Brasil, transformaram-se em campanha sistemática contra esse programa" , que " bota o dedo na ferida de velhas mazelas da nossa sociedade". ( F s P , 15.01.2010, p. A-8) .

Para Veja, " É praticamente uma revogação da Constituição Federal na garantia dos direitos democráticos mais básicos .Ao longo de 73 páginas eivadas de vociferações ideológicas e ataques ao 'neoliberalismo ' e ao agronegócio , o documento volta a propor o controle da imprensa , a prática de referendos e outras práticas de 'democracia direta', e a criação de leis que protegem invasores de terra em detrimento de suas vítimas . Nos três casos , fica clara que a preocupação com os 'direitos humanos' figura no documento muito menos como propósito do que como pretexto para tentar fazer descer goela abaixo da sociedade propostas que o governo já tentou impingir-lhe de outras formas , sem sucesso" ( Veja, 13.01.2010, p. 64) .

Segundo o jornalista Jânio de Freitas " O ninho de cobras a que o governo deu o nome de Programa Nacional de Direitos Humanos , decretado por Lula em meio às festas de fim de ano , é um dos atos de governo mais tresloucados do pós-ditadura, senão o mais . Não pela variedade de temas e alvos que liga aos direitos humanos , mas por reunir tamanha variedade em um só decreto , que ainda assim funciona como um disparador de ataques simultâneos , com o próprio governo como alvo , a partir de tudo o que é força e poder entre ( ou sobre? ) nós" ( F S P , 10.01.2010, p. A-6) .

Para a senadora Kátia Abreu, presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil " saem a democracia , a justiça , a tolerância e o consenso e entra a velha visão esquerdista e ideológica que a humanidade enterrou sem lágrimas nas últimas décadas , depois de muito sofrimento e muita miséria".
Para o senador Demóstenes Torres , presidente da Comissão de Constituição e Justiça do Senado "É a proposta de um psicopata ideológico". ( Veja, 20.01.2010 , p. 54) .

Forças Armadas

Os comandantes do Exército e da Aeronáutica ameaçaram pedir demissão caso o presidente Lula não revogue alguns trechos do Plano Nacional de Direitos Humanos 3, que cria a "Comissão da Verdade", para apurar torturas e desaparecimentos durante o regime militar .

"Acesso a todos os arquivos e documentos produzidos durante o regime militar é fundamental no âmbito das políticas de proteção dos direitos humanos , elaborar , até abril de 2010 , projeto de lei que institua Comissão Nacional da Verdade , composta de forma plural e suprapartidária , com mandato e prazo definidos, para examinar as violações de direitos humanos praticadas no contexto da repressão política ".

Em reunião com o ministro da Defesa, Nelson Jobim, no dia 23 de dezembro , Enzo Martins Peri e Juniti Saito classificaram o documento como "excessivamente insultuoso , agressivo e revanchista", às Forças Armadas e que os seus comandados se sentiram diretamente ofendidos .

O foco da crise é o sexto capítulo do Plano de Direitos Humanos , e que se chama "Eixo Orientador 6: Direito á Memória e 'à Verdade " . Três propostas deixaram a área militar particularmente irritada :
Criação da comissão da verdade, responsável por apurar desaparecimentos e torturas durante o regime militar ( 1964-1985) . Como está redigido o texto , está prevista a apuração só de torturas praticadas por militares . Os militares defendem que haja abertura também para investigar assaltos a bancos , sequestros e mortes promovidos pelos militantes da esquerda armada .
Entidades de defesa de direitos humanos , contra a tortura e familiares de mortos e desaparecidos políticos durante o regime militar manifestaram-se contra a modificação proposta no texto da Diretriz 23 onde seria suprimida a referência á "repressão política", no quesito que prevê a apuração das violações dos direitos humanos.

Para estas entidades as violações da repressão política não são iguais às das organizações de esquerda armada . O jornalista Alípio Freire , da extinta organização Ala Vermelha , preso durante " 5 anos , um mês , um dia e 18 horas , entre 1969 e 1974 afirma " Quem é o agente da repressão política que já foi punido por seus atos? Nenhum torturador ou estuprador que agiu nos porões da repressão respondeu pelos crimes de lesa-humanidade que cometeu . Nós sim , os militantes , fomos punidos . Muitas vezes . Fomos seqüestrados , levados para cárceres clandestinos ( dos quais muitos desapareceram) , mantidos incomunicáveis , presos , torturados , mortos , condenados , forçados ao exílio". Com ele concorda Marcelo Zelic, vice-presidente do Grupo Tortura Nunca Mais de São Paulo "Os militantes contra a ditadura , já foram punidos, inclusive à luz da legislação do regime ditatorial existente na época no Brasil. O que é preciso fazer , até porque nunca foi feito antes , é apurar as responsabilidades daqueles que dentro do Estado , torturaram e mataram". O presidente nacional da OAB, Cezar Britto , disse que os militares que cometeram crimes de lesa humanidade no período da ditadura devem ser punidos legalmente. ( F S P , 11.01.2010, p. A-6) . .

Pressionado por Nelson Jobim e por militares Lula assinou novo decreto retirando o termo "repressão política" : "Fica criado o grupo de trabalho para elaborar anteprojeto de lei que institui a comissão nacional da verdade(...) para examinar as violações de direitos humanos (...)". Com a retirada da expressão "examinar as violações de direitos humanos praticadas no contexto da repressão política", o alvo da Comissão da Verdade fica genérico , sem especificar quem e que lado – se os torturadores , se a esquerda armada ou se ambos, será investigado pela comissão . ( F S P , 14.01.2010 , p. A-4) .
Segundo Paulo Sérgio Pinheiro "No processo de consolidação da democracia brasileira , é preocupante que comandantes militares se arroguem como censores da linguagem de um decreto presidencial e exijam modificação do texto a seu comandante em chefe, aos quais devem hierarquicamente obediência...Em nenhuma democracia consolidada , militares opinam sobre decisões do governo , ameaçando se demitir, num gesto ridículo , pois nem ministros são e mesmos os ministros sabem que são demissíveis ad nutum, por um simples aceno da cabeça do governante . Entre todos os exércitos saídos fortalecidos na democracia depois de ditaduras , como na Grécia, na Espanha , em Portugal , na Argentina, no Chile , no Uruguai, os militares não se solidarizam com seus antecessores que perpetraram torturas e crimes contra a humanidade". ( F S P , 15.01.2010 , p. A-8) .

O  novo decreto não modificou as propostas originais que objetivam :
Identificar e tornar públicas as "estruturas" utilizadas para violações de direitos humanos durante a ditadura. Isso significa a criação de comitês estaduais que identifiquem e cataloguem instalações militares que abrigaram tortura durante a ditadura .

Criar uma legislação nacional proibindo que ruas, praças , monumentos e estádios tenham nomes de pessoas que praticaram crimes na ditadura .( F S P , 30.12.2009, p. A-5) .

O procurador-geral da República , Roberto Gurgel, enviou ao STF parecer em que se diz contrário á revisão da Lei da Anistia para que haja julgamento e punição de torturadores que atuaram no regime militar . Segundo ele , a revisão romperia acordo histórico que permitiu a "transição pacífica e harmônica " no país . ( F S P , 31.01.2010 , p. A-11) .

O general da ativa Maynard Marques de Santa Rosa , chefe do Departamento-Geral de Pessoal do Exército diz em nota que a comissão da verdade seria formada por "fanáticos" e viraria uma " comissão da calúnia ."Segundo ele , que é general de quatro estrelas , a maior patente militar e parte do Alto Comando do Exército, os integrantes da comissão seriam "os mesmos fanáticos que, no passado recente , adotaram o terrorismo , o seqüestro de inocentes e o assalto a bancos como meio de combate ao regime , para alcançar o poder". Na nota , que circula na Internet , Santa Rosa diz" Confiar a fanáticos a busca da verdade é o mesmo que entregar o galinheiro aos cuidados da raposa . A história da inquisição espanhola espelha o perigo do poder concedido a fanáticos . Quando os sicários de Tomás de Torquemada ( 1420-1498) viram-se livres para investigar a vida alheia , a sanha persecutória conseguiu flagelar 30 mil vítimas por ano". ( F S P , 10.02.2010, p. A-9) .

O general Maynard foi exonerado em 10 de fevereiro da chefia do DGP. Conforme a Folha apurou , a declaração escrita por Santa Rosa , circulou por mais de duas semanas entre generais mais próximos a ele e depois caiu na Internet. Santa Rosa com a exoneração , continuará na ativa , como adido no gabinete do comandante Enzo Peri, até o próximo dia 31 de março , quando completa o tempo máximo de permanência no generalato , de 12 anos e vai compulsoriamente para a reserva remunerada .Conforme avalia a jornalista Eliane Catanhede , a dúvida do próprio governo é que se as críticas foram mesmo em "nome pessoal", ou se o general aproveitou a proximidade da ida para a reserva para manifestar um sentimento disseminado no Exército . A exoneração foi um ato político , meio termo pois foi uma resposta a uma crítica que não deveria ter sido proferida por um militar , mas também não chegou ao extremo de abrir um longo e rumoroso processo para expulsar o general com base no "Regimento Disciplinar do Exército", que poderia transformá-lo em um herói . ( F S P , 11.02.2010 , p. A-2,6) .

Igreja Católica

A Igreja Católica também colocou-se contra as propostas do plano : aborto – "apoiar a aprovação do projeto de lei que descriminaliza o aborto , considerando a autonomia das mulheres para discutir sobre seus corpos";
Casamento – " Apoiar projeto de lei que disponha sobre a união civil entre pessoas do mesmo sexo. Desenvolver meios para garantir o uso do nome social de travestis e transexuais .
Adoção – promoção de ações voltadas à garantia de adoção por casais homoafetivos ; símbolo – desenvolvimento de mecanismos para impedir a ostentação de símbolos religiosos em estabelecimentos públicos da União .
José Simão, bispo de Assis , responsável pelo Comitê de Defesa da Vida do regional Sul-1 da CNBB declarou " Vemos nessas iniciativas uma atitude arbitrária e antidemocrática do governo Lula . A Igreja é contra . É claro que os arcebispos , os bispos são contrários [ ao documento]". ( F s P , 8.1.2010, p. A-6) .

Em nota divulgada em 15 de janeiro , a CNBB classifica a proposta de impedir a "ostentação " de símbolos religiosos em estabelecimentos públicos da União como "intolerante" e reitera a oposição à descriminalização do aborto, ao casamento entre pessoas do mesmo sexo e à adoção por casais gays . A CNBB afirma que o programa contém "elementos" de consenso , que podem e devem " ser implementados imediatamente . Mas avalia que há também pontos de "dissenso", que requerem mais diálogo . ( F S P , 16.01.2010 , p. A-7) .

Segundo o ministro dos Direitos Humanos , Paulo Vanucchi em declaração feita em março de 2010, serão retirados do documento o apoio explícito a projeto de lei que descriminalize o aborto e à proibição de símbolos religiosos em prédios públicos ,atendendo às críticas da Igreja Católica . ( F s P , 18.03.2010 , p. A-10) .

Agronegócio

O ministro da agricultura , Reinhold Stephanes também criticou o decreto :" Sinto que a agricultura não esteja participando . Isso demonstra preconceito contra a agricultura comercial . O decreto causa insegurança jurídica e o setor precisa de mais segurança .

" Ele criticou a ênfase dada à agricultura familiar " O que existe são pequenos produtores , médios produtores e grandes produtores . Não se pode ignorar que existe uma classe media crescendo no campo" . ( F s P , 9.1.2010, p. A-4) . O trecho que mais incomodou o setor " Essa discussão [ sobre questões climáticas] coloca em questão os investimentos em infra-estrutura e modelos de desenvolvimento econômico na área rural , baseados , em grande parte , no agronegócio, sem a preocupação com a potencial violação dos direitos de pequenos e médios agricultores e das populações tradicionais".

O Ministério da Agricultura realizou um estudo comparativo entre a versão original e o decreto final e concluiu que o texto foi alterado depois de avalizado pelos assessores do ministro Reinhold Stephanes. A Secretaria de Direitos Humanos nega ter havido alteração após 9 de dezembro, quando a íntegra do decreto foi enviada a ministros e secretários especiais . Porém, na versão do ministério , ninguém foi avisado que o texto foi mudado depois . ( F s P , 15.01.2010, p. A-7) .

O plano propõe a realização da audiências públicas antes de um juiz decidir se concede liminar para reintegração de posse de uma fazenda invadida , invadindo a competência do judiciário . O decreto sugere , que o cumprimento da ordem judicial seja "regulamentado", inovando pois sabe-se que ordem judicial é para ser cumprida e não para ser regulamentada . "Propor um projeto de lei voltado a regulamentar o cumprimento de mandados de reintegração de posse e correlatos, garantindo a observância do respeito aos direitos humanos . Propor projeto de lei para institucionalizar a utilização da mediação das demandas de conflitos agrários e urbanos , priorizando a realização de audiência coletiva com os envolvidos , com a presença do Ministério público , do poder público local , órgãos públicos especializados e Polícia Militar , como medida preliminar Pa avaliação da concessão de medidas liminares , sem prejuízo de outros meios institucionais para solução de conflitos".

Aqui o plano cria um direito onde não existe , pois os invasores passariam a ter direito à audiência pública e é inconstitucional pois invade área de competência do Judiciário .

A AMB – Associação dos Magistrados Brasileiros afirmou em 29 de janeiro de 2010 que está "apreensiva", com o PNDH em relação á exigência de audiências públicas o que "não é aceitável", pois "a proposta afronta a segurança jurídica daqueles que buscam no Poder Judiciário a pronta intervenção em casos de violação de seu direito de propriedade" ( F S P , 30.01.2010, p. A-10) . .

Segundo o ministro dos Direitos Humanos , Paulo Vanucchi em declaração feita em março de 2010, será modificada a proposta de mediação dos conflitos agrários com a retirada da exigência de audiência prévia com os envolvidos antes das decisões judiciais como a reintegração de posse .. ( F s P , 18.03.2010 , p. A-10) .

Meios de Comunicação :

A ANJ – Associação Nacional de Jornais , a Aner – Associação Nacional dos Editores de Revistas , e a Abert – Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão , divulgaram nota conjunta afirmando que o decreto configura uma ameaça à liberdade de expressão :" As associações representativas dos meios de comunicação brasileiros manifestam sua perplexidade diante das ameaças à liberdade de expressão contidas no decreto n.º 7.037 , de 21 de dezembro de 2009 , que cria o Programa Nacional de Direitos Humanos . A propósito de defender e valorizar os direitos humanos , que estãoa cima de qualquer questionamento , o decreto prevê a criação de uma comissão governamental que fará o acompanhamento da produção editorial das empresas de comunicação e estabelecerá um ranking dessas empresas , no que se refere ao tema dos direitos humanos . O decreto prevê ainda punições – e até mesmo cassação de outorga , no caso dos veículos de radiodifusão - para as empresas de comunicação que não sigam as diretrizes oficiais em relação aos direitos humanos .

A defesa e a valorização dos direitos humanos são parte essencial da democracia , nos termos da Constituição e de toda a legislação brasileira e contam com nosso total compromisso e respaldo . Mas não é democrática e sim flagrantemente inconstitucional a idéia de instâncias e mecanismos de controle da informação . A liberdade de expressão é um direito de todos os cidadãos e não deve ser tutelada por comissões governamentais .
As associações representativas dos meios de comunicação brasileiros esperam que as restrições á liberdade de expressão contidas no decreto sejam extintas , em benefício da democracia e de toda a sociedade . Brasília, 8 de janeiro de 2010 " .

Indústria

Em relação ao meio ambiente o plano sugere a incorporação dos sindicatos no processo de licenciamento ambiental de empresas. Segundo Paulo Godoy , presidente da Abdid , a medida atrasará os projetos de infra-estrutura no país : " Não consigo entender por que inserir um novo agente , sem conhecimento específico sobre o assunto , no processo . Essa discussão está descolada do foco que um plano que tem vistas aos direitos humanos ". ( F s P , 12.01.2010, p. B-2) .
Na ciência propõe a fiscalização de pesquisas de biotecnologia e nanotecnologia .
Propõe a taxação de grandes fortunas e revisão das regras para planos de saúde.
Comentários sobre o Plano
O PSDB apresentou no Senado um projeto de decreto legislativo para anular o decreto . Na justificativa afirma-se " ficou plenamente evidenciado que o volume de propostas apresentadas, trata, na verdade , de promessas de caráter eleitoral e não tem qualquer caráter pragmático . Tem apenas a pretensão de criar um factóide político para ser usado em propaganda eleitoral ". ( F S P , 9.1.2010, p. A-7) .

O secretário Nacional dos Diretos Humanos , Paulo Vanuchi , em entrevista à Folha de São Paulo , afirmou " A minha demissão não é problema para o Brasil, nem para a República , o que não posso admitir é transformarem o plano num monstrengo político único no planeta , sme respaldo da ONU ou da OEA. "
Ele condena a tentativa de colocarem no mesmo nível torturadores e torturados . Uns agiram ilegalmente , com respaldo do Estado, outros já foram julgados, presos desaparecidos e mortos . Vanuchi aposta que Lula tentará uma opção intermediária . " O presidente Lula é construtor de caminhos de meio termo . Mas se não for possível , não posso ficar . Vou optar pelo caminha da dona Lindu (mãe de Lula), sempre de cabela erguida" .

Ficando ou saindo, Vannuchi , diz que o saldo do plano já é amplamente positivo , " porque provocou um intenso debate interno sobre Direitos Humanos , abarcando as posições dos mais diferentes setores . Que sejam necessários ajustes , não me oponho, mas há limites ". Segundo ele , "as críticas são desproporcionais e baseadas em interpretações equivocadas . "Na sua opinião, o plano " não é uma peça da esquerda radical , é uma construção que , eventualmente , contém imperfeições e até erros , mas fundamentada em elementos essenciais da democracia". ( F S P , 10.01.2010 , p. A-7) .
Em 18 de janeiro de 2010 , reunidas na Câmara , cerca de 60 pessoas ligadas a entidades representativas dos Direitos Humanos realizaram um ato de desagravo ao plano nacional . Apoiadas por deputados petistas , as entidades classificaram os contrários ao programa como "conservadores" e criticaram o presidente Luiz Inácio Lula da Silva por retirar do documento a expressão "repressão política" do foco da comissão nacional da verdade, após pressão de militares.

Segundo o deputado Domingos Dutra (PT_MA), "Temos um governo que mistura Deus e o Diabo , um compostos de partidos conservadores . Mas quem anda para trás é caranguejo . A sociedade não é obrigada a aceitar o recuo do governo ". ( F S P , 19.01.2010 , p. A-6) .

Para o jornalista J.R. Guzzo " O decreto que assinou é coisa de sanatório ? Sua desculpe é que assinou sem ler ; são previstas nesse trem fantasma mais de 500 decisões , que para ser executadas exigiriam uma nova Constituição ou um golpe de Estado, mas ele diz que não leu nada. Isso ou aquilo deu problema ? É só mudar o que foi escrito e anunciar que o caso está 'superado,,. Na verdade , há um método nisso tudo . Lula é indiferente ao projeto de revolução ao qual se dedicam tantos de seus subordinados – que sonham em desenhar para o Brasil um regime 'popular' baseado em 'mecanismos de democracia direta', no qual ficam dispensados de inconvenientes como eleições, votações no Congresso ou decisões contrárias da Justiça . O presidente deixa que se entretenham com isso ; sabe quanto é bom , para todos eles , poderem viver o papel de revolucionários com risco zero, sem ter de fugir da polícia e no conforto de cargos em comissão , com carro oficial e cartão corporativo. Em compensação , sempre que manda para o lixo alguma de suas idéias , espera que lhe digam 'sim, senhor' . É o que acaba de ouvir mais uma vez. O lado escuro dessa maneira de governar é o incentivo permanente à oferta de propostas que batem de frente com a democracia . Elas podem não ir adiante , mas estão sendo escritas por funcionários do governo , recebem apoio oficial e acabam, como no caso desse PNFH-3 , incluídas num decreto que o presidente assina e que, agora , terá de ser combatido ponto por ponto para não se transformar em realidade . É o que há de melhor como receita para promover a incerteza". ( Veja, 27.01.2010 , p. 126) .

Portaria com os seis integrantes do grupo de trabalho responsável por detalhar proposta de criação da comissão de verdade indicou como presidente Erenice Guerra, principal assessora de Dilma Roussef. Outros participantes são o cientista político Paulo Sérgio Pinheiro e o ministro Paulo Vanucchi . ( F S P , 27.01.2010, p. A-9) .

O ministro Paulo Vanuchi , em Porto Alegre afirmou " Em um dos artigos , um jurista , em artigo na Folha, chega a dizer [ sobre o PNDH] , fazendo piada com a história de um livro , 'queime o livro de poesia e , se o autor insistir, queime o autor'. Ou seja, eu não tinha lido nos últimos anos uma confissão tão clara de que se for preciso construir o DOI-CODI de novo , vamos construir o DOI-CODI de novo". Ele se refere a um artigo publicado pelo jurista Ives Granda da Silva Martins na Folha em 22 de janeiro onde menciona que não há "necessidade de adotar a segunda parte do conselho ", isto é , queimar o autor . ( F S P , 28.01.2010, p. A-11) .

Uma declaração assinada por 67 bispos católicos - entre eles d.Orani João Tempesta , arcebispo do Rio , d. Karl Josef Romer, secretário emérito do Pontifício Conselho para a Família, e d. Eugênio Sales, arcebispo emérito do Rio de Janeiro - acusa o governo de métodos autoritários " para garantir a aprovação do PNDH e chama o plano de "intolerante" ao vetar imagens católicas em prédios da União .

A crítica é generalizada " A CNBB reafirma posição manifestada em defesa da vida e da família e contrária à descriminalização do aborto , ao casamento entre pessoas do mesmo sexo e o direito de adoção por casais homoafetivos ..Há propostas que banalizam a vida, descaracterizam a instituição familiar do matrimônio , cerceiam a liberdade de expressão na imprensa e reduzem as garantias jurídicas da propriedade privada .

Ainda segundo a nota , algumas propostas do governo podem constituir ameaça à paz social , pois "limitam o exercício do Poder Judiciário , como ainda correm o perigo de reacender conflitos sociais já pacificados com a lei da anistia"
O documento conclui com crítica à forma como foram introduzidas as propostas " Fazer aprovar por decreto o que já foi rechaçado repetidas vezes por órgãos legítimos , traz à tona métodos autoritários , dos quais com muito sacrifício nos libertamos ao restabelecer a democracia no Brasil na década de 80". ( F S P , 3.2.2010, p. A-12) .

4º CONGRESSO NACIONAL DO PT

O Congresso aprovou em 19 de fevereiro de 2010 um documento que radicaliza propostas do partido em áreas sensíveis como a reforma agrária , imprensa e o 3º Plano Nacional de Direitos Humanos e o texto é base preliminar do plano de governo da candidata Dilma Roussef.
Direitos Humanos : Apoio incondicional ao Programa Nacional de Direitos Humanos . ( F S P ,20.02.2010 , p. A-4) .

COMISSÃO DA VERDADE

Funcionará por dois anos sem possibilidade de prorrogação , e obrigará militares e servidores civis a colaborar com a apuração . Terá como objetivo investigar tanto os agentes do Estado como os militares de esquerda atuantes durante a ditadura militar , assim como os responsáveis por violações praticadas entre 1946 e 1988 .

A comissão será composta por sete integrantes escolhidos pelo Presidente da República , "brasileiros de reconhecida idoneidade e conduta ética , identificados pela defesa da democracia , institucionalidade constitucional e respeito aos direitos humanos . Os sete terão um salário de R$ 11.179 e serão designadas outras 14 pessoas para cargos auxiliares com remunerações que variam de R$ 4.000 a R$ 9.000 . O custo mensal da comissão só com salários , ficará em R$ 167,8 mil e todos terão direito a passagens aéreas e diárias pagas pelo governo . Como o STF manteve o entendimento de que a Lei de Anistia foi ampla , geral e irrestrita , a comissão não terá poder de punir . O projeto de lei deverá ser enviado ao congresso em maio de 2010 . ( F S P , 11.05.2010 p. A-10).

RECUO DE LULA

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva , cedeu às pressões da Igreja Católica , das Forças Armadas , das associações de mídia e do agronegócio e recuou em todos os pontos polêmicos do 3º Programa Nacional de Direitos Humanos , editando o Decreto 7.177/2010 .
Aborto – O texto apoiava a aprovação de projeto de lei que descriminalizava o aberto . A mudança considera o aborto como tema de saúde pública , com a garantia do acesso a serviços de saúde;
Conflitos no campo – O texto incentivava projetos piloto de Justiça Restaurativa para analisar os conflitos. A mudança valoriza a mediação , priorizando o Incra institutos de terras estaduais e outros órgãos públicos especializados .
Meios de comunicação – O texto previa penalidades a rádios e TVs para emissoras que não "respeitassem os Direitos Humanos ." . A mudança estabelece o " respeito aos Direitos Humanos nos serviços de radiodifusão", mas não prevê penalidades.
Memória – O texto propunha a proibição de logradouros e prédios públicos com nomes de pessoas que praticaram crimes de lesa-humanidade . A mudança fala em "fomentar debates e divulgar informações " sobre o assunto , em relação a pessoas identificadas reconhecidamente como torturadores".

O novo texto também suprime o veto à ostentação de símbolos religiosos em locais públicos e fez ajustes em outros alvos de pressão da Igreja Católica, mas manteve a defesa da união civil homossexual , da adoção de crianças por casais homo-afetivos e da concessão de direitos trabalhistas e previdencíários para prostitutas . Foi revogado também a previsão de acompanhamento editorial dos veículos de comunicação "Elaborar critérios de acompanhamento editorial a fim de criar ranking nacional de veículos de comunicação comprometidos com os princípios de Direitos Humanos , assim como os que cometem violações . "( F s P ,14.05.2010, p. A-10).

Matéria do site: Administradores com trechos da revista Veja
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Os Novos Evangélicos


Inspirado no cristianismo primitivo e conectado à internet, um grupo crescente de religiosos critica a corrupção neopentecostal e tenta recriar o protestantismo à brasileira
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Rani Rosique não é apóstolo, bispo, presbítero nem pastor. É apenas um cirurgião geral de 49 anos em Ariquemes, cidade de 80 mil habitantes do interior de Rondônia. No alpendre da casa de uma amiga professora, ele se prepara para falar. Cercado por conhecidos, vizinhos e parentes da anfitriã, por 15 minutos Rosique conversa sobre o salmo primeiro (“Bem-aventurado o homem que não anda segundo o conselho dos ímpios”). Depois, o grupo de umas 15 pessoas ora pela última vez – como já havia orado e cantado por cerca de meia hora antes – e então parte para o tradicional chá com bolachas, regado a conversa animada e íntima.
Desde que se converteu ao cristianismo evangélico, durante uma aula de inglês em Goiânia em 1969, Rosique pratica sua fé assim, em pequenos grupos de oração, comunhão e estudo da Bíblia. Com o passar do tempo, esses grupos cresceram e se multiplicaram. Hoje, são 262 espalhados por Ariquemes, reunindo cerca de 2.500 pessoas, organizadas por 11 “supervisores”, Rosique entre eles. São professores, médicos, enfermeiros, pecuaristas, nutricionistas, com uma única característica comum: são crentes mais experientes.
Apesar de jamais ter participado de uma igreja nos moldes tradicionais, Rosique é hoje uma referência entre líderes religiosos de todo o Brasil, mesmo os mais tradicionais. Recebe convites para falar sobre sua visão descomplicada de comunidade cristã, vindos de igrejas que há 20 anos não lhe responderiam um telefonema. Ele pode ser visto como um “símbolo” do período de transição que a igreja evangélica brasileira atravessa. Um tempo em que ritos, doutrinas, tradições, dogmas, jargões e hierarquias estão sob profundo processo de revisão, apontando para uma relação com o Divino muito diferente daquela divulgada nos horários pagos da TV.
Estima-se que haja cerca de 46 milhões de evangélicos no Brasil. Seu crescimento foi seis vezes maior do que a população total desde 1960, quando havia menos de 3 milhões de fiéis espalhados principalmente entre as igrejas conhecidas como históricas (batistas, luteranos, presbiterianos e metodistas). Na década de 1960, a hegemonia passou para as mãos dos pentecostais, que davam ênfase em curas e milagres nos cultos de igrejas como Assembleia de Deus, Congregação Cristã no Brasil e O Brasil Para Cristo. A grande explosão numérica evangélica deu-se na década de 1980, com o surgimento das denominações neopentecostais, como a Igreja Universal do Reino de Deus e a Renascer. Elas tiraram do pentecostalismo a rigidez de costumes e a ele adicionaram a “teologia da prosperidade” (leia o quadro abaixo). Há quem aposte que até 2020 metade dos brasileiros professará à fé evangélica.
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SÍMBOLO O cirurgião Irani Rosique (sentado, de camisa branca, com aBíblia aberta no colo). Sem cargo de clérigo, ele mobiliza 2.500 pessoas no interior de Rondônia
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Dentro do próprio meio, levantam-se vozes críticas a esse crescimento. Segundo elas, esse modelo de igreja, que prospera em meio a acusações de evasão de divisas, tráfico de armas e formação de quadrilha, tem sido mais influenciado pela sociedade de consumo que pelos ensinamentos da Bíblia. “O movimento evangélico está visceralmente em colapso”, afirma o pastor Ricardo Gondim, da igreja Betesda, autor de livros como Eu creio, mas tenho dúvidas: a graça de Deus e nossas frágeis certezas (Editora Ultimato). “Estamos vivendo um momento de mudança de paradigmas. Ainda não temos as respostas, mas as inquietações estão postas, talvez para ser respondidas somente no futuro.”
Nos Estados Unidos, a reinvenção da igreja evangélica está em curso há tempos. A igreja Willow Creek de Chicago trabalhava sob o mote de ser “uma igreja para quem não gosta de igreja” desde o início dos anos 1970. Em São Paulo, 20 anos depois, o pastor Ed René Kivitz adotou o lema para sua Igreja Batista, no bairro da Água Branca – e a ele adicionou o complemento “e uma igreja para pessoas de quem a igreja não costuma gostar”. Kivitz é atualmente um dos mais discutidos pensadores do movimento protestante no Brasil e um dos principais críticos da“religiosidade institucionalizada”. Durante seu pronunciamento num evento para líderes religiosos no final de 2009, Kivitz afirmou: “Esta igreja que está na mídia está morrendo pela boca, então que morra. Meu compromisso é com a multidão agonizante, e não com esta igreja evangélica brasileira.”
Essa espécie de “nova reforma protestante” não é um movimento coordenado ou orquestrado por alguma liderança central. Ela é resultado de manifestações espontâneas, que mantêm a diversidade entre as várias diferenças teológicas, culturais e denominacionais de seus ideólogos. Mas alguns pontos são comuns. O maior deles é a busca pelo papel reservado à religião cristã no mundo atual. Um desafio não muito diferente do que se impõe a bancos, escolas, sistemas políticos e todas as instituições que vieram da modernidade com a credibilidade arranhada. “As instituições estão todas sub judice”, diz o teólogo Ricardo Quadros Gouveia, professor da Universidade Mackenzie de São Paulo e pastor da Igreja Presbiteriana do Bairro do Limão. “Ninguém tem dúvida de que espiritualidade é uma coisa boa ou que educação é uma coisa boa, mas as instituições que as representam estão sob suspeita.”
Uma das saídas propostas por esses pensadores é despir tanto quanto possível os ensinamentos cristãos de todo aparato institucional. Segundo eles, a igreja protestante (ao menos sua face mais espalhafatosa e conhecida) chegou ao novo milênio tão encharcada de dogmas, tradicionalismos, corrupção e misticismo quanto a Igreja Católica que Martinho Lutero tentou reformar no século XVI. “Acabamos nos perdendo no linguajar ‘evangeliquês’, no moralismo, no formalismo, e deixamos de oferecer respostas para nossa sociedade”, afirma o pastor Miguel Uchôa, da Paróquia Anglicana Espírito Santo, em Jaboatão dos Guararapes, Grande Recife. “É difícil para qualquer pessoa esclarecida conviver com tanto formalismo e tão pouco conteúdo.”
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“É lisonjeador saber que nos consideram ‘pensadores’. Mas o grande problema dos evangélicos brasileiros não é de inteligência. É de ética e honestidade” RICARDO AGRESTE, pastor da Comunidade Presbiteriana Chácara Primavera, em Campinas, São Paulo
Uchôa lidera a maior comunidade anglicana da América Latina. Seu trabalho é reconhecido por toda a cúpula da denominação como um dos mais dinâmicos do país. Ele é um dos grandes entusiastas do movimento inglês Fresh Expressions, cujo mote é “uma igreja mutante para um mundo mutante”. Seu trabalho é orientar grupos cristãos que se reúnem em cafés, museus, praias ou pistas de skate. De maneira genérica, esses grupos são chamados de “igreja emergente” desde o final da década de 1990. “O importante não é a forma”, afirma Uchôa. “É buscar a essência da espiritualidade cristã, que acabou diluída ao longo dos anos, porque as formas e hierarquias passaram a ser usadas para manipular pessoas. É contra isso que estamos nos levantando.”
No meio dessa busca pela essência da fé cristã, muitas das práticas e discursos que eram característica dos evangélicos começaram a ser considerados dispensáveis. Às vezes, até condenáveis. Em Campinas, no interior de São Paulo, ocorre uma das experiências mais interessantes de recriação de estruturas entre as denominações históricas. A Comunidade Presbiteriana Chácara Primavera não tem um templo. Seus frequentadores se reúnem em dois salões anexos a grandes condomínios da cidade e em casas ao longo da semana. Aboliram a entrega de dízimos e as ofertas da liturgia. Os interessados em contribuir devem procurar a secretaria e fazê-lo por depósito bancário – e esperar em casa um relatório de gastos. Os sermões são chamados, apropriadamente, de “palestras” e são ministrados com recursos multimídias por um palestrante sentado em um banquinho atrás de um MacBook. A meditação bíblica dominical é comumente ilustrada por uma crônica de Luis Fernando Verissimo ou uma música de Chico Buarque de Hollanda.
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“O que importa é buscar a essência do cristianismo, que acabou diluída porque as formas e hierarquias passaram a ser usadas para manipular pessoas” MIGUEL UCHÔA, pastor anglicano (à esquerda na foto, ao lado do bispo Robinson Cavalcanti, da Diocese do Recife)
“Os seminários teológicos formam ministros para um Brasil rural em que os trabalhos são de carteira assinada, as famílias são papai, mamãe, filhinhos e os pastores são pessoas respeitadas”, diz Ricardo Agreste, pastor da Comunidade e autor dos livros Igreja? Tô fora e A jornada (ambos lançados pela Editora Socep). “O risco disso é passar a vida oferecendo respostas a perguntas que ninguém mais nos faz. Há muita gente séria, claro, dizendo verdades bíblicas, mas presas a um formato ultrapassado.”
Outro ponto em comum entre esses questionadores é o rompimento declarado com a face mais visível dos protestantes brasileiros: os neopentecostais. “É lisonjeador saber que atraímos gente com formação universitária e que nos consideram ‘pensadores’”, afirma Ricardo Agreste. “O grande problema dos evangélicos brasileiros não é de inteligência, é de ética e honestidade.” Segundo ele, a velha discussão doutrinária foi substituída por outra. “Não é mais uma questão de pensar de formas diferentes a espiritualidade cristã”, diz. “Trata-se de entender que há gente usando vocabulário e elementos de prática cristã para ganhar dinheiro e manipular pessoas.”
Esse rompimento da cordialidade entre os evangélicos históricos e os neopentecostaisveio a público na forma de livros e artigos. A jornalista (evangélica) Marília Camargo César publicou no final de 2008 o livro Feridos em nome de Deus (Editora Mundo Cristão), sobre fiéis decepcionados com a religião por causa de abusos de pastores. O teólogo Augustus Nicodemus Lopes, chanceler da Universidade Presbiteriana Mackenzie, publicou O que estão fazendo com a Igreja: ascensão e queda do movimento evangélico brasileiro (Mundo Cristão), retrato desolador de uma geração cindida entre o liberalismo teológico, os truques de marketing, o culto à personalidade e o esquerdismo político. Em um recente artigo, o presidente do Centro Apologético Cristão de Pesquisas, João Flavio Martinez, definiu como “macumba para evangélico” as práticas místicas da Igreja Universal do Reino de Deus, como banho de descarrego e sabonete com extrato de arruda.
Tais críticas, até pouco tempo atrás, ficavam restritas aos bastidores teológicos e às discussões internas nas igrejas. Livros mais antigos – como Supercrentes, Evangélicos em crise, Como ser cristão sem ser religioso e O evangelho maltrapilho (todos da editora Mundo Cristão) – eram experiências isoladas, às vezes recebidos pelos fiéis como desagregadores. “Parece que a sociedade se fartou de tanto escândalo e passou a dar ouvidos a quem já levantava essas questões há tempos”, diz Mark Carpenter, diretor-geral da Mundo Cristão.
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“As pessoas não querem mais dogmas, elas querem autenticidade. Minha postura é, juntos, buscarmos algumas respostas satisfatórias a nossas inquietações” ED RENÉ KIVITZ, pastor da Igreja Batista da Água Branca, em São Paulo
O pastor Kivitz – que publicou pela Mundo Cristão seus livros Outra espiritualidade e O livro mais mal-humorado da Bíblia – distingue essa crítica interna daquela feita pela mídia tradicional aos neopentecostais “A mídia trata os evangélicos como um fenômeno social e cultural. Para fazer uma crítica assim, basta ter um pouco de bom-senso. Essa crítica o (programa) CQC já faz, porque essa igreja é mesmo um escracho”, diz ele. “Eu faço uma crítica diferente, visceral, passional, porque eu sou evangélico. E não sou isso que está na televisão, nas páginas policiais dos jornais. A gente fica sem dormir, a gente sofre e chora esse fenômeno religioso que pretende ser rotulado de cristianismo.”
A necessidade de se distinguir dos neopentecostais também levou essas igrejas a reconsiderar uma série de práticas e até seu vocabulário. Pastores e “leigos” passam a ocupar o mesmo nível hierárquico, e não há espaço para “ungidos” em especial. Grandes e imponentes catedrais e “cultos shows” dão lugar a reuniões informais, em pequenos grupos, nas casas, onde os líderes podem ser questionados, e as relações são mais próximas. O vocabulário herdado da teologia triunfalista do Antigo Testamento (vitória, vingança, peleja, guerra, maldição) é reconsiderado. Para superar o desgaste dos termos, algumas igrejas preferem ser chamadas de “comunidades”, os cultos são anunciados como “reuniões” ou “celebrações” e até a palavra “evangélico” tem sido preterida em favor de “cristão” – o termo mais radical. Nem todo mundo concorda, evidentemente. “Eles (os neopentecostais) é que não deveriam ser chamados de evangélicos”, afirma o bispo anglicano Robinson Cavalcanti, da Diocese do Recife. “Eles é que não têm laços históricos, teológicos ou éticos com os evangélicos.”
Um dos maiores estudiosos do fenômeno evangélico no Brasil, o sociólogo Ricardo Mariano (PUC-RS), vê como natural o embate entre neopentecostais e as lideranças de igrejas históricas. Ele lembra que, desde o final da década de 1980, quando o neopentecostalismo ganhou força no Brasil, os líderes das igrejas históricas se levantaram para desqualificar o movimento. “O problema é que não há nenhum órgão que regule ou fale em nome de todos os evangélicos, então ninguém tem autoridade para dizer o que é uma legítima igreja evangélica”, afirma.

CAPA escolhida A nova reforma Protestante (3)
Procurado por ÉPOCA, Geraldo Tenuta, o Bispo Gê, presidente nacional da Igreja Renascer em Cristo, preferiu não entrar em discussões. “Jesus nos ensinou a não irmos contra aqueles que pregam o evangelho, a despeito de suas atitudes”, diz ele. “Desde o início, éramos acusados disto ou daquilo, primeiro porque admitíamos rock no altar, depois porque não tínhamos usos e costumes. Isso não nos preocupa. O que não é de Deus vai desaparecer, e não será por obra dos julgamentos.” A Igreja Universal do Reino de Deus – que, na terceira semana de julho, anunciou a construção de uma “réplica do Templo de Salomão” em São Paulo, com “pedras trazidas de Israel” e “maior do que a Catedral da Sé” – também foi procurada por ÉPOCA para comentar os movimentos emergentes e as críticas dirigidas à igreja. Por meio de sua assessoria, o bispo Edir Macedo enviou um e-mail com as palavras: “Sem resposta”.
O sociólogo Ricardo Mariano, autor do livro Neopentecostais: sociologia do novo pentecostalismo no Brasil (Editora Loyola), oferece uma explicação pragmática para a ruptura proposta pelo novo discurso evangélico. Ateu, ele afirma que o objetivo é a busca por uma certa elite intelectual, um público mais bem informado, universitário, mais culto que os telespectadores que enchem as igrejas populares. “Vivemos uma época em que o paciente pesquisa na internet antes de ir ao consultório e é capaz de discutir com o médico, questionar o professor”, diz. “Num ambiente assim, não tem como o pastor proibir nada. Ele joga para a consciência do fiel.”
A maior parte da movimentação crítica no meio evangélico acontece nas grandes cidades. O próprio pastor Kivitz afirma que “talvez não agisse da mesma forma se estivesse servindo alguma comunidade em um rincão do interior” e que o diálogo livre entre púlpito e auditório passa, necessariamente, por uma identificação cultural. “As pessoas não querem dogmas, elas querem honestidade”, diz ele. “As dúvidas delas são as minhas dúvidas. Minha postura é, juntos, buscarmos respostas satisfatórias a nossas inquietações.”
Por isso mesmo, Ricardo Mariano não vê comparação entre o apelo das novas igrejas protestantes e das neopentecostais. “O destino desses líderes será ‘pescar no aquário’, atraindo insatisfeitos vindos de outras igrejas, ou continuar falando para meia dúzia de pessoas”, diz ele. De acordo com o presbiteriano Ricardo Gouveia, “não há, ou não deveria haver, preocupação mercadológica” entre as igrejas históricas. “Não se trata de um produto a oferecer, que precise ocupar espaço no mercado”, diz ele. “Nossa preocupação é simplesmente anunciar o evangelho, e não tentar ‘melhorá-lo’ ou torná-lo mais interessante ou vendável.”
O advento da internet foi fundamental para pastores, seminaristas, músicos, líderes religiosos e leigos decidirem criar seus próprios sites, portais, comunidades e blogs. Um vídeo transmitido pela Igreja Universal em Portugal divulgando o Contrato da fé – um “documento”, “autenticado” pelos pastores, prometendo ao fiel a possibilidade de se “associar com Deus e ter de Deus os benefícios” – propagou-se pela rede, angariando toda sorte de comentários. Outro vídeo, em que o pregador americano Moris Cerullo, no programa do pastor Silas Malafaia, prometia uma “unção financeira dos últimos dias” em troca de quem “semear” um “compromisso” de R$ 900 também bombou na rede. Uma cópia da sentença do juiz federal Fausto De Sanctis (lembre AQUI) condenando os líderes da Renascer Estevam e Sônia Hernandes por evasão de divisas circulou no final de 2009. De Sanctis afirmava que o casal “não se lastreia na preservação de valores de ética ou correção, apesar de professarem o evangelho”. “Vergonha alheia em doses quase insuportáveis” foi o comentário mais ameno entre os internautas.
Sites como PavablogVeshame GospelIrmãos.comPúlpito CristãoCaiofabio.net ouCristianismo Criativo fazem circular vídeos, palestras e sermões e debatem doutrinas e notícias com alto nível de ousadia e autocrítica. De um grupo de blogueiros paulistanos, surgiu a ideia da Marcha pela ética, um protesto que ocorre há dois anos dentro da Marcha para Jesus (evento organizado pela Renascer). Vestidos de preto, jovens carregam faixas com textos bíblicos e frases como “O $how tem que parar” e “Jesus não está aqui, ele está nas favelas”.
A maior parte desses blogueiros trafega entre assuntos tão diversos como teologia, política, televisão, cinema e música popular. O trânsito entre o “secular” e o “sagrado” é uma das características mais fortes desses novos evangélicos. “A espiritualidade cristã sempre teve a missão de resgatar a pessoa e fazê-la interagir e transformar a sociedade”, diz Ricardo Agreste. “Rompemos o ostracismo da igreja histórica tradicional, entramos em diálogo com a cultura e com os ícones e pensamento dessa cultura e estamos refletindo sobre tudo isso.”
Em São Paulo, o capelão Valter Ravara criou o Instituto Gênesis 1.28, uma organização que ministra cursos de conscientização ambiental em igrejas, escolas e centros comunitários. “É a proposta de Jesus, materializar o amor ao próximo no dia a dia”, afirma Ravara. “O homem sem Deus joga papel no chão? O cristão não deve jogar.” Ravara publicou em 2008 a Bíblia verde, com laminação biodegradável, papel de reflorestamento e encarte com textos sobre sustentabilidade.
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“O homem sem Deus joga papel no chão? O cristão não deve jogar. É a proposta de Jesus, materializar o amor ao próximo no dia a dia” VALTER RAVARA, “ecocapelão”, criador do Instituto Gênesis 1.28 e da Bíblia verde
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A então ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, escreveu o prefácio da Bíblia verde. Sua candidatura à Presidência da República angariou simpatia de blogueiros e tuiteiros, mas não o apoio formal da Assembleia de Deus, denominação a que ela pertence. A separação entre política e religião pregada por Marina é vista como um marco da nova inserção social evangélica. O vereador paulistano e evangélico Carlos Bezerra Jr. afirma que o dever do político cristão é “expressar o Reino de Deus” dentro da política. “É o oposto do que fazem as bancadas evangélicas no Congresso, que existem para conseguir facilidades para sua denominação e sustentar impérios eclesiásticos”, diz ele.
DA WEB ÀS RUAS – Blogueiros que organizam a Marcha pela ética, um movimento de protesto incrustado dentro da Marcha para Jesus, promovida pela Renascer
O raciocínio antissectário se espalhou para a música. Nomes como Palavrantiga, Crombie, Tanlan, Eduardo Mano, Helvio Sodré e Lucas Souza se definem apenas como “música feita por cristãos”, não mais como “gospel”. Eles rompem os limites entre os mercados evangélico e pop. O antissectarismo torna os evangélicos mais sensíveis a ações sociais, das parcerias com ONGs até uma comunidade funcionando em plena Cracolândia, no centro de São Paulo. “No fundo, nossa proposta é a mesma dos reformadores”, diz o presbiteriano Ricardo Gouveia. “É perceber o cristianismo como algo feito para viver na vida cotidiana, no nosso trabalho, na nossa cidadania, no nosso comportamento ético, e não dentro das quatro paredes de um templo.”
A teologia chama de “cristocêntrico” o movimento empreendido por esses crentes que tentam tirar o cristianismo das mãos da estrutura da igreja – visão conhecida como “eclesiocêntrica” – e devolvê-lo para a imaterialidade das coisas do espírito. É uma versão brasileiramente mais modesta do que a Igreja Católica viveu nos tempos da Reforma Protestante. Desta vez, porém, dirigida para a própria igreja protestante. Depois de tantos desvios, vozes internas levantaram-se para propor uma nova forma de enxergar o mundo. E, como efeito, de ser enxergadas por ele. Nas palavras do pastor Kivitz: “Marx e Freud nos convenceram de que, se alguém tem fé, só pode ser um estúpido infantil que espera que um Papai do Céu possa lhe suprir as carências. Mas hoje gostaríamos de dizer que o cristianismo tem, sim, espaço para contribuir com a construção de uma alternativa para a civilização que está aí. Uma sociedade que todo mundo espera, não apenas aqueles que buscam uma experiência religiosa”.
Revista Época.
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